Andei algumas quadras até o terminal de ônibus de Imperatriz,chegando lá sentei-me num banquinho.Atrás de mim a Praça Tiradentes e um cheiro forte de urina. Nos meus ouvidos a programação de uma rádio,ao meu lado uma senhora desdentada que assim como eu,tinha um olhar perdido,talvez pensando na demora do seu transporte.Ou não.
Várias pessoas sobem e descem dos ônibus e nesse vai e vem uma senhora puxa assunto comigo. Não prestei atenção no que ela dizia. Acenei com a cabeça em sinal de confirmação,então ela começou a reclamar com a filha que estava correndo. Um senhor com um carrinho de sorvete entra e conversa com as pessoas do terminal, ouço várias risadas. A senhora ao meu lado conversa com a outra sobre o final da novela das oito. Levantei do meu assento e comecei a andar, meu pé esquerdo estava doendo, fui pedir informação sobre o horário do meu ônibus:
-Bacuri só 12:20
-E o Parque do Buriti?
-11:50
Mal perguntei e o dito cujo chegou. Dele saíram vários estudantes de uma escola técnica. Subo e procuro um assento ao lado da janela. Colo o rosto no vidro e observo as pessoas lá fora,a maioria com roupas muito coloridas e sacolas na mão, parecendo estar muito apressadas. Passamos por uma rua bastante movimentada, o comércio de coisas "Made in China" é intenso.
O motorista entra na rua D.Pedro II, olho para trás e vejo uma ex-colega de classe com uma camisa do Flamengo, aceno para ela e volto à olhar para janela. O motorista vê que só restou nós duas no ônibus e pergunta aonde vamos ficar, eu respondo “um pouco mais na frente”,ele faz bico e resmunga alguma coisa que eu não escutei, prefiri continuar olhando para a janela.
Mais à frente uma faculdade particular e uma igreja católica. O bairro todo me traz lembranças. Não moro ali, mas cresci passeando pelas redondezas. Pedi ao motorista que parasse.
Desci, meus olhos começaram a arder por conta do sol, apertei os olhos e comecei a andar mais depressa.Um homem estava me seguindo,quando pensei em atravessar a rua, ele fez isso. De toda forma, comecei a andar mais depressa, até por que estava com fome.
Faltava só algumas quadras e estaria em casa.
De volta ao bairro onde cresci e fiz o ensino médio, o bairro onde as vizinhas fofoqueiras são uma espécie de polícia te dando alguma segurança quando se volta tarde para casa, o bairro onde eu apostava corrida de bicicleta com a minha irmã e minha amiga/vizinha e caíamos desta várias vezes, tendo como prova nossos joelhos com cicatrizes, o bairro em que eu brincava de amarelinha e batia nos meninos que queriam jogar pedras nos meus gatos, o meu bairro que para mim é nostalgico todo dia, esse bairro é o meu Bacuri.